segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ARQUIPÉLAGO ECONÔMICO


BRASIL: DO ARQUIPÉLAGO AO CONTINENTE E ESPAÇOS EXTROVERTIDOS

Nos mapas “Brasil: a economia e o território”, identificamos em relação às atividades econômicas, no território brasileiro, uma organização em “coágulos”, ou seja, em “ilhas” ou “arquipélagos” econômicos, com um traçado das estradas, rodovias e ferrovias concentradas próximas ao litoral e com pouca penetração no interior do território. O funcionamento da economia colonial ocorreu de acordo com a lógica do comércio triangular atlântico, submetida ao monopólio mercantil e controle metropolitano. No caso do Brasil, isso fez com que, no Período Colonial, as cidades tenham se concentrado na franja costeira com adensamentos em algumas áreas como o  Recôncavo das Baía de Todos os Santos e o da Guanabara e em estuários e baixadas costeiras, como é o exemplo da Santista. A mineração de metais e pedras preciosas foi responsável pela interiorização do fato urbano nas Minas Gerais e Goiás; a extração das drogas do sertão (determinadas especiarias, como cacaucanela,baunilhacravocastanha e guaraná, extraídas do chamado sertão brasileiro na época das entradas e das bandeiras), por sua vez, promoveu esporádico assentamento urbano na Bacia Amazônica e no Golfão Maranhense. O avanço do complexo cafeeiro paulista, no século XIX e início do XX, foi o principal motor do processo de interiorização do crescimento urbano, que avançou pelo Planalto Paulista ao longo do traçado das ferrovias, que escoavam o café para o porto de Santos.
A conquista e domínio territoriais sintetizam a essência da colônia e podem ser consideradas um traço comum na maioria dos processos coloniais de exploração (envolvendo, inclusive, o uso da violência). No período inicial da colonização, os europeus apropriaram-se de uma natureza e de territórios já humanizados, em maior ou menor grau, por povos que viviam no que viria a ser o atual território brasileiro. Desse modo, é justo afirmar que o “Brasil indígena antecede o Brasil lusitano e o Brasil contemporâneo”.
A DIT - divisão internacional do trabalho, de modo simplificado, é a divisão do trabalho ou da produção, imposta pelos países colonizadores (metrópoles) às suas colônias, cabendo a estas o fornecimento de produtos primários e a compra de produtos manufaturados e industriais na interdependência econômica estabelecida com aqueles. A acumulação primitiva de capital trata-se do processo de acumulação de riquezas ocorrido na Europa, entre os séculos XVI e XVIII, que possibilitou grandes transformações econômicas ocorridas com a primeira Revolução Industrial (séculos XVIII e XIX).
Espaços extrovertidos são espaços geográficos produzidos e organizados para atender o mercado externo, e segundo a lógica da DIT. Exemplos: espaço da agroindústria da cana-de-açúcar, espaço da mineração, espaço do café, etc.
O termo “arquipélago econômico” expressa a falta de integração entre as economias regionais que se constituíram como espaços relativamente autônomos de produção e consumo, guardando relações mais estreitas com os mercados externos do que entre si. Vale esclarecer que a expressão se aplica à economia e à configuração geoeconômica do território brasileiro no início do século XX, marcadas pela fragmentação em “ilhas” regionais, em grande parte resultantes da economia colonial.


CICLOS ECONÔMICOS DO BRASIL


Gênese do Território Brasileiro

O Ciclo do Pau-Brasil.
A extração do Pau-Brasil [madeira e tinta] era feita com o auxílio da mão-de-obra nativa, na base do escambo em que os europeus forneciam objetos de pouco valor na Europa, mas que no início exerciam um grande fascínio sobre os nativos, pois estes viviam numa sociedade de caça e coleta, daí manufaturados relativamente comuns dos europeus alcançarem cotações altas no escambo. Por vezes foram construídas feitorias para proteção contra navios inimigos e para armazenar as toras até o transporte, mas o saldo foi de grande devastação das matas costeiras e nenhum núcleo de povoamento permanente.

                     


O Ciclo da Cana-de-Açucar.
O cultivo da cana-de-açúcar  deu-se pela necessidade imperativa de colonizar e explorar um território até então sem muita importância econômica para Portugal, vários foram os motivos para a escolha da cana, entre eles a existência no Brasil do solo de massapê, propício para o cultivo da cana-de-açúcar, além de ser um produto muito bem cotado no comércio europeu – destinado unicamente à exportação e capaz de gerar valiosíssimos lucros, transformando-se no alicerce econômico da colonização portuguesa no Brasil entre os séculos XVI e XVII.   A maior contribuição dos engenhos, porém, foi estar em um ponto bastante privilegiado, facilitando o escoamento e agilizando a chegada do produto aos mercados consumidores.   As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, eram grandes fazendas monocultoras [um único produto], utilizando mão de obra escrava e visando o comércio exterior.



O Ciclo das Drogas do Sertão
Drogas do sertão é um termo que se refere a determinadas especiarias extraídas do chamado sertão brasileiro na época das entradas e das bandeiras, as "drogas" eram produtos nativos do Brasil, que não existiam na Europa e, por isso, atraíam o interesse dos europeus que as consideravam como novas especiarias.
A foz do rio Amazonas era uma região onde se praticava intenso escambo com produtos típicos da região, como ervas aromáticas, plantas medicinais, cacaucanelabaunilhacravocastanha-do-pará e guaraná. Esses produtos recebiam o nome de drogas do sertão e eram considerados especiarias na Europa, alcançando excelentes preços nesse período. Para combater o contrabando, em 1616, a Coroa Portuguesa fundou, na foz do rio Amazonas, o forte do Presépio, dando origem à atual cidade de Belém.



O Ciclo do Ouro
Na História do Brasil, o ciclo do ouro é compreendido como o período em que vigorou a extração e exportação do ouro como principal atividade econômica na fase colonial do país. Ocorrera após o declínio da produção açucareira no Brasil, época em que Portugal buscara novas fontes de renda na colônia, as primeiras minas foram encontradas pelos bandeirantes  no atual estado de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. O auge do ciclo do ouro no século XVIII, gerou uma grande corrida em busca do metal precioso.
A extração exigia investimentos em mão-de-obra, equipamentos e  a aquisição de terrenos auríferos. A extração do ouro ficou nas mãos dos grandes proprietários rurais e comerciantes, a Coroa Portuguesa adquiria lucro por  meio da cobrança de taxas e impostos, ou seja , o explorador que encontrasse e extraísse o ouro deveria pagar o quinto  à Coroa Portuguesa. O imposto era cobrado pelas Casas de Fundição, onde o metal era derretido e transformado em barras.




O Ciclo da Pecuária
 A pecuária estava vinculada à economia de subsistência, fornecia couros e carnes para o consumo interno das grandes propriedades. Esse foi um grande passo para o começo da primeira grande comercialização interna da colônia, fator essencial no povoamento de novas terras, o gado, no início, era propriedade dos donos de engenho e somente em meados do século XVII surgiu a figura do proprietário da fazenda de gado, foi nessa época, também, que o gado tomou a direção do interior, com uma estrutura baseada na grande propriedade, no trabalho livre e assalariado e na técnica extensiva.
Com a descoberta do ouro:
No Sul, as primeiras fazendas de gado datam do início do século XVIII e o consumo de charque (carne-seca) integrou a região economicamente ao resto da Colônia, principalmente ao Sudeste (então na prosperidade do ouro). No Nordeste, a pecuária, durante a fase aurífera, se estendeu pelo São Francisco (que ficou conhecido como Rio dos Currais), pois o comércio se concentrava em Minas, e o São Francisco era ótimo: tanto para a criação quanto para a venda, assim, tornando o Brasil o segundo maior produtor de gado do mundo.




O Ciclo da Borracha
Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se, de imediato, muito lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço internacional, no final do século XIX a recém-criada indústria de automóveis estava em plena expansão, as empresas e a classe média correram para adquirir o meio de transporte do momento, com isso, a demanda pela borracha aumentou significativamente, pois este produto era matéria-prima para a fabricação de pneus.
O Brasil passou a exportar toneladas de borracha, principalmente para as fábricas de automóveis norte-americanas. As principais regiões produtoras de borracha eram os estados do Pará e Amazonas, utilizando a extração do látex das seringueiras, que havia em abundância na região da floresta amazônica, esta rápida expansão da produção de borracha atraiu grande quantidade de trabalhadores para a região, principalmente, nordestinos que fugiam da seca e estavam em busca de emprego e melhores condições de vida, na primeira década do século XX, o Brasil tornou-se o maior produtor e exportador mundial de borracha.
Este crescimento econômico da região amazônica foi acompanhado de significativo desenvolvimento urbano. Muitas cidades surgiram e outras se desenvolveram como, por exemplo, Manaus.. O comércio interno aumentou significativamente e a renda dos habitantes melhorou.




O Ciclo do Café
O café chegou ao Brasil, na segunda década do século XVIII, através de Francisco de Melo Palheta. Estas primeiras mudas foram trazidas da Guiana Francesa. No século XIX, as plantações de café espalharam-se pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro. Os mercados nacionais e internacionais, principalmente Estados Unidos e Europa, aumentaram o consumo, favorecendo a exportação do produto brasileiro.
Com a queda nas exportações de algodão, açúcar e cacau, os fazendeiros sentiram a grande oportunidade de obterem altos lucros com o “ouro negro”. Passaram a investir mais e ampliaram os cafezais. Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro, sendo também muito consumido no mercado interno.         Os fazendeiros, principalmente paulistas, fizeram fortuna com o comércio do produto, as mansões da Avenida Paulista refletiam bem este sucesso. Boa parte dos lucros do café foi investido na indústria, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o desenvolvimento deste setor e a industrialização do Brasil.       Além de uma alternativa à mineração e aos engenhos de açúcar, a cafeicultura impulsionou o início da imigração europeia, a instalação da malha ferroviária e da industrialização do sudeste brasileiro. Os produtores de café receberam distinções sociais e estiveram relacionados aos principais movimentos políticos e econômicos que precederam a proclamação da república.




Ciclo do Algodão
No contexto da economia colonial, o algodão surge como mais um produto agrícola que se estabeleceu nas bases do trabalho escravo, da grande propriedade e da monocultura voltada para o mercado externo.
A primeira remessa de algodão para o mercado externo data de 1760, proveniente do Maranhão, mais tarde a capitania de Pernambuco e a Bahia também se tornaram importantes produtoras de algodão, esse avanço na produção de algodão no Brasil foi possível graças a uma nova conjuntura internacional no final do século XVIII. O mercado mundial de produtos tropicais - especialmente o algodão – se expandiu devido à Guerra de Independência dos Estados Unidos e logo em seguida a Revolução Industrial inglesa.     Inicialmente, a mão de obra empregada na lavoura de algodão era indígena. Apesar do Marquês de Pombal não ver com bons olhos os jesuítas, não admitiu a utilização de índios, preferindo escravizar o negro, atendendo aos interesses do tráfico negreiro. Conforme se pode observar, o negro apareceu como a mão de obra que melhor atendeu aos interesses da grande lavoura de exportação, seja pela sua utilização na lavoura algodoeira e/ou principalmente para garantir os lucros metropolitanos por intermédio do tráfico de escravo.





Ciclo do Fumo
Durante os três primeiros quartos do século XVI os colonos portugueses obtiveram o fumo dos índios, através de um sistema de trocas, mas numerosas guerras fizeram com que, por volta de 1570, eles começassem a cultivá-lo, no início para o próprio consumo e mais tarde para vendê-lo, sob a instigação de comerciantes locais, no decorrer do século XVII,  ate que em 1674o monopólio português foi estabelecido.
Resgate de escravos
Não sabemos quando o fumo começou a ser utilizado para a compra de escravos na África. O tráfico começou em 1570 e supomos que o fumo apareceu no comércio somente no final do século XVII. O que é certo é que em 1637, os holandeses, em guerra contra Portugal, apoderaram-se do castelo de São Jorge da Mina, possessão portuguesa na África ocidental, controlando então o comércio nessa região, e,após o tratado de paz em 1641 eles proibiram o comércio de mercadorias europeias aos portugueses, deixando livre apenas a compra dos rolos de fumo da Bahia e mais alguns gêneros menores, como a aguardente.
A partir de então, o fumo passou a ser o principal gênero de comércio, no escambo dos escravos na Costa da Mina, e entrou em quantidades reduzidas nas transações com outras regiões africanas (Angola), e até a sua extinção na segunda metade do século XIX, fez a riqueza dos comerciantes baianos.





Ciclo da Erva Mate
Os jesuítas espanhóis, que organizaram grandes aldeamentos de índios catequizados (as chamadas missões ou reduções), organizaram o cultivo e a produção da erva-mate e passaram a abastecer os colonos espanhóis em toda a bacia platina (Argentina, Paraguai, Uruguai e Rio Grande do Sul), conseguindo grandes lucros com o comércio da erva. Os jesuítas destacaram-se na produção da erva, pois seus métodos secretos de produção permitiam-lhes obter uma erva-mate de qualidade muito superior à de outros produtores. Os jesuítas estimularam o consumo de mate pelos índios das missões como forma de combater o perigo do alcoolismo.
No século XVIII, com a expulsão dos jesuítas da América, ocorreu uma desorganização no setor produtivo da erva-mate, isto estimulou o crescimento da extração de erva-mate na região dos atuais estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. O primeiro engenho brasileiro de erva-mate a obter autorização de funcionamento foi o de Domingos Alzagaray, argentino residente na cidade de Paranaguá, no ano de 1808. A indústria da erva-mate passou a movimentar toda a economia do litoral e do planalto paranaense, na época, ainda pertencentes à Capitania de São Paulo.



domingo, 10 de fevereiro de 2013

MAPA


MAPA

Do latim, mappa designa lenço e mappa mundi era o mundo em um lenço.          Um mapa é uma representação bidimensional de um espaço tridimensional, a ciência da concepção e fabricação de mapas designa-se cartografia. Por vezes a cartografia se debruça sobre a projeção de superfícies curvas sobre superfícies planas, no processo chamado planificação.

Aspectos da cartografia
Se o mapa cobrir uma grande área da superfície terrestre, de modo  que a curvatura da Terra ou a ondulação do geóide possam já influir na medição de distâncias e na precisão pretendida na representação, ter-se-á de escolher uma projeção cartográfica. Matematicamente, esta é uma função que transforma coordenadas polares ou geodésicas (latitude,longitude) em coordenadas do plano do mapa. Necessariamente, isto provoca distorção.

Características gerais dos mapas:
  • Representação plana;
  • Geralmente em escala pequena;
  • Área delimitada por acidentes naturais (bacias, planaltos, chapadas, etc.), político-administrativos;
  • Destinação a fins temáticos, culturais ou ilustrativos.
Generalizando:   Um mapa é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos aspectos geográficos, naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por elementos físicos, político-administrativos, destinada aos mais variados usos, temáticos, culturais e ilustrativos.

Tipos de mapas
Um dos elementos fundamentais dos mapas modernos é a presença de uma escala, que permite determinar as dimensões reais dos objetos cartografados e medir distâncias (a escala é um quociente entre a medida no mapa e a medida real correspondente). Quanto maior é a escala, maior o detalhe.
Há também mapas que apenas representam a posição relativa dos objetos e não permitem retirar conclusões sobre as distâncias entre eles. Exemplos são os mapas do metrô de muitas cidades. Outros mapas, que abdicam da fidelidade posicional dos objetos para escalar as suas representações em função de quantidades associadas a esses objetos, dizem-se cartogramas.
Como representações abstratas do mundo os mapas não são neutros e devem ser interpretados cuidadosamente: uma das razões é a distorção provocada pelas projeções cartográficas, que pode induzir em erro quanto à comparação de áreas distintas, por exemplo.    Os objetos que se representam num mapa dependem do tipo de uso para o qual este é elaborado, em um mapa de estradas dará importância à rede viária ao representar os vários tipos de vias, os cruzamentos e as distâncias entre cidades. Um mapa geológico caracterizará do ponto de vista da geologia o solo numa dada região. Um mapa político mostrará as fronteiras ou outras divisões administrativas. Um mapa para navegação marítima dará prioridade à localização de faróis, portos e relevo submarino.
A cartografia sofreu uma verdadeira revolução com a aplicação dos Sistemas de Informação Geográfica e do Sistema de Posicionamento Global a partir do final do século XX.    Esta revolução opera-se não apenas em nível de produção mas também de circulação, manipulação e utilização de informação espacial. É fácil hoje produzir um mapa personalizado no computador ou obter outro mapa, de qualquer local do mundo, na internet.

Classificação dos mapas:

Mapas físicos
  • Mapa geomorfológico - representa as características do relevo de uma região.
  • Mapa climático - indica os tipos de clima que atuam sobre uma região.
  • Mapa hidrográfico - mostra os rios e bacias que cortam uma região.
  • Mapa biogeográfico - apontam os tipos de vegetação que cobrem uma determinada localização
Mapas humanos
  • Mapa político - aponta a divisão do território em países, estados, regiões, municípios.
  • Mapa econômico - indica as atividades produtivas do homem em determinada região.
  • Mapa demográfico - apresenta a distribuição da população em determinada região
  • Mapa histórico - apresenta as mudanças históricas ocorridas em determinada região.
  • Mapa rodoviário - estuda as rodovias e as estradas de um país.
Elementos de um Mapa
  • Título: nome que indica o que o mapa está representando, contendo informações como o recorte espacial, o período de tempo e a temática em geral.
  • Escala: informação de quantas vezes o terreno real (no caso a Terra ou parte dela) foi reduzido em relação ao mapa.
  • Legenda: identifica os símbolos e as cores usados no mapa.
  • Orientação: aponta no mapa o rumo da rosa-dos-ventos
  • Fonte: entidade responsável pela realização do mapa.


Formato do Planeta Terra




















HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA


HISTÓRIA DA CARTOGRAFIA
 Desde os primórdios da civilização, ainda em seu estágio primitivo, o homem tratou de demarcar sua posição e seu domínio. Sem saber, ele já aplicava a Topografia.    Os babilônicos, os egípcios, os gregos, os chineses, os árabes e os romanos foram os povos que nos legaram instrumentos e processos que, embora rudimentares, serviram para descrever, delimitar e avaliar propriedades tanto urbanas como rurais, com finalidades cadastrais.

MAPA ESCANDINAVO
Confeccionado em pranchas de madeira, reproduzia o litoral escandinavo.

GROMA EGÍPCIA
Instrumento primitivo para levantamentos topográficos.  Era utilizado em áreas planas para alinhar direções até objetos distantes e então, transferir as linhas de visada para o solo, marcando neles linhas retas.  Alternativamente era possível marcas os ângulos necessários para erguer construções como as Pirâmides.    A partir destes métodos topográficos rudimentares foram obtidos dados que possibilitaram a elaboração de cartas e plantas, tanto militares como geográficas, que foram de grande valia para a época e mesmo como documento histórico para nossos dias.


                                                                                                 





MAPA DE ÇATALHUYUK
Foi um assentamento neolítico muito grande na Anatólia, datada de cerca de 6.700 aC.  Mostra um estágio cultural refinado, com casas de tijolos crus nas quais se entrava pelo teto, possivelmente por uma escada de madeira. O trânsito entre as casas se fazia por cima destas, já que não havia ruas entre elas.





MAPA DE GA-SUR (3.800 a 2.500 AC)      
Este é considerado um dos mapas mais antigos, foi encontrado na região da Mesopotâmia.   Representa o rio Eufrates e acidentes geográficos adjacentes.    É uma pequena estela de barro cozido que cabe na palma da mão e que foi descoberta perto da cidade de Harran, no nordeste do Iraque atual.



             




MAPA DE BEDOLINA, ITÁLIA
Documento antigo de cartografia, o Mapa de Bedolina, de aproximadamente, 1.500 A.C. visava representar uma aldeia na região do Rio Pó, ao norte da Itália.








MAPA MUNDI – ANAXIMANDRO DE MILETO
O primeiro mapa-múndi conhecido foi elaborado por Anaximandro de Mileto (611-547 a.C.), discípulo de Tales, que no século VI AC tentou representar o mundo como um disco que flutuava sobre as águas. Algum tempo mais tarde Pitágoras, chegou a conclusão que a Terra era redonda iniciando assim uma nova escola.






 MAPA DAS ILHAS MARSHALL
Este curioso mapa é feito de tiras de fibra vegetal, representando a área oceânica do arquipélago formado pelas Ilhas Marshall, no Pacífico, a nordeste da Austrália.  Algumas ilhas estão representadas por conchas presas às tiras.        As linhas curvas representam as direções predominantes das ondas.
















MAPA DE ERATÓSTONES
No século III a.C. Eratóstones (276-196 a.C.) iniciou as medidas para a determinação do círculo máximo do Globo terrestre, chegando ao valor de 45.000 km. Este pesquisador foi o primeiro a tentar medir o raio da Terra.   Mais tarde, no século II AC, Hiparco de Nicea(160-120 a C.) trás para a Grécia os conhecimentos babilônicos sobre a graduação sexagesimal do círculo e a partir daí define a rede de paralelos e meridianos do globo terrestre.     Eratóstenes desenhou um mapa do mundo melhorado, incorporando informação resultante das campanhas de Alexandre, o Grande, e dos seus sucessores.   A Ásia surge maior, refletindo os novos conhecimentos da verdadeira dimensão do continente.                Eratóstenes foi também o primeiro geógrafo a incorporar paralelos e meridianos nas suas representações cartográficas. 






MAPA DE PTOLOMEU
O apogeu da cartografia nesse período está relacionado à obra de Ptolomeu (87-50 a.C.). Sua famosa obra Geografia é formada de oito volumes, tratando desde a construção de globos à técnica de projeção de mapas. Descreveu mais de 8.000 lugares com coordenadas geográficas. O volume mais importante trata dos princípios da Cartografia, da Geografia, da Matemática, das projeções e dos métodos de observação astronômica. 








No século I , Marino de Tiro define os princípios da geografia matemática e estabelece, pela primeira vez, a posição astronômica de numerosos lugares e cidades, especialmente na zona mediterrânea. 
 No século II Claudio Ptolomeu (90-168 d.C.) realiza suas observações astronômicas na cidade de Alexandria e escreve sua principal obra denominada Megalé Sintaxis ou Grande Construção que trata da Terra, do Sol, da Lua, do Astrolábio e de seus cálculos, das Elipses, um catálogo de estrelas e finalmente os cinco planetas e suas diversas teorias. Esta obra recebeu o título de El Almagesto na língua árabe. 

MAPA ROMANO
Mostra o expansionismo romano no séc.I







OS MAPAS MEDIEVAIS T-O
Os mapas medievais "T e O" originaram-se da descrição do mundo na obra Etymologia de Isidoro de Sevilha. Este conceito de cartografia medieval representa apenas o hemisfério norte de uma Terra esférica, dedução feita a partir da projeção da porção habitada do mundo conhecida nos tempos romanos e medievais. O "T" é o Mediterrâneo dividindo em três contimentes: Europa, Ásia e África, sendo o "O" um Oceano circundante. Jerusalém era usualmente representada no centro do mapa e a Ásia surgia do tamanho da soma dos outros dois continentes. Porque o Sol nascia a leste, e o Paraíso (jardim do Éden) era geralmente representado como sendo na Ásia, estando, dessa maneira, situada na porção superior do mapa. 










No século XI o hispanico-árabe Azarquiel, inventa a Azafea, astrolábio de caráter universal baseado na projeção da esfera sobre um plano que contém os pólos e que calcula a posição dos astros determinando sua altura sobre a linha do horizonte.


 



CARTA PISANA
No século XIII aparece a Carta Pisana cuja construção se baseava em rumos e distâncias; os primeiros eram medidos por agulhas magnéticas e pelas rosa dos ventos; a segunda calculada pelo tempo de navegação.







MAPA DE ZHENG HE
Este mapa chinês é, além de um guia de navegação, o relato da última viagem de Zheng He, almirante da frota imperial em meados do século XV.     No alto à esquerda, aparecem as costas da Índia, o Sri Lanka à direita e o litoral africano logo abaixo.




















OS PORTULANOS
Em 1420 o Infante Dom Henrique de Portugal, funda a Escola de Navegadores em Sagres e poucos anos após ocorre uma autêntica revolução na produção de cartas e mapas motivada pela divulgação e ressurgimento das teorias de Ptolomeu e pela invenção da imprensa, o que ocasionou a possibilidade de se estampar os mapas sobre pranchas de bronze. 






O uso do compasso e das bússolas como instrumentos náuticos, comuns desde o fim do séc XII, junto com o desenvolvimento do astrolábio, foram decisivos para a criação das cartas náuticas, que conseguiram um grande grau de perfeição no séc. XIV, com os portolanos. Nesta época os cartógrafos já tinham conhecimento de latitude e longitude, e noção dos círculos polares.
Os portolanos não eram feitos como os mapas modernos, com grades verticais e horizontais de latitude e longitude para facilitar a localização. O método utilizado eram as linhas de rumo, que foram aperfeiçoadas por Angelo Dulcert Portolano, em 1300. Embora pareça óbvio que o termo "portolano" venha de seu sobrenome, há estudos que indicam outra origem. O termo vem do latim, através do italiano, e parece ter sido usado pela primeira vez em 1285 com o significado de "descrição dos portos marítimos e das costas". Ambas as origens são plausíveis, assim como também são aceitas as duas formas em uso: "portolano" ou, como é mais comum, "portulano". Escolha o que mais lhe agrada.

A partir do século XVI o termo portulano começou a ser aplicado a qualquer coleção de instruções náuticas e aos mapas que acompanhavam. E no século passado, finalmente, os cientistas passaram a chamar assim a todas as cartas marítimas antigas. Os portulanos eram desenhados em formato grande sobre pele bovina ou de cabra. Nos navios havia um exemplar para a orientação náutica e outro como reserva. Foram produzidos também alguns portulanos em forma de atlas, que facilitavam o manuseio em terra firme, mas estavam sujeitos a deformações e tinham o campo de leitura limitado.


PLANISFÉRIO DE MERCATOR
Gerhardt Kremer (1512-1594), que adota o nome de Mercator, define uma nova projeção cilíndrica na qual as linhas loxodrómicas (direção de rumo constante que percorre o barco em sua navegação) se apresentam como linhas retas.                 Geógrafo, cartógrafo e matemático flamengo.    Autor de um planisfério (1569) construído numa projeção por ele concebida, usada até hoje nas cartas náuticas, a Projeção de Mercator.









No século XVII, Huygens calculou o valor do achatamento terrestre seguindo o raciocínio de Newton, entretanto sem aceitar que a densidade das capas terrestre fosse homogênea, considerando sim toda a massa concentrada em seu centro. O século XVIII se caracteriza pelo desenvolvimento da instrumentação topográfica. A luneta astronômica, idealizada por Kepler em 1611 e a construção de limbos graduados dão lugar aos primeiros teodolitos. Ao mesmo tempo, a invenção do cronômetro e do barômetro, possibilitaram a medida do tempo e a determinação de altitudes.  

CARTOGRAFIA


CARTOGRAFIA

Cartografia (do grego chartis = mapa e graphein = escrita) é a ciência que trata da concepção, produção, difusão, utilização e estudo dos mapas.      O vocábulo foi pela primeira vez proposto pelo Das muitas definições usadas na literatura, colocamos aqui a atualmente adaptada pela Associação Cartográfica Internacional (ACI):
"Conjunto dos estudos e operações científicas, técnicas e artísticas que intervêm na elaboração dos mapas a partir dos resultados das observações diretas ou da exploração da documentação, bem como da sua utilização".
historiador português Manoel Francisco Carvalhosa numa carta datada de 8 de Dezembro de 1839, de Paris, e endereçada ao historiador brasileiro Francisco Adolfo Varnhagen, vindo a ser internacionalmente consagrado pelo uso.
A cartografia encontra-se no curso de uma longa e profunda revolução, iniciada em meados do século passado, e certamente a mais importante depois do seu renascimento, que ocorreu nos séculos XV e XVI. A introdução da fotografia aérea e da detecção remota, o avanço tecnológico nos métodos de gravação e impressão e, mais recentemente, o aparecimento e disseminação dos computadores, vieram alterar profundamente a forma como os dados geográficos são adquiridos, processados e representados, bem como o modo como os interpretamos e exploramos.