segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CICLOS ECONÔMICOS DO BRASIL


Gênese do Território Brasileiro

O Ciclo do Pau-Brasil.
A extração do Pau-Brasil [madeira e tinta] era feita com o auxílio da mão-de-obra nativa, na base do escambo em que os europeus forneciam objetos de pouco valor na Europa, mas que no início exerciam um grande fascínio sobre os nativos, pois estes viviam numa sociedade de caça e coleta, daí manufaturados relativamente comuns dos europeus alcançarem cotações altas no escambo. Por vezes foram construídas feitorias para proteção contra navios inimigos e para armazenar as toras até o transporte, mas o saldo foi de grande devastação das matas costeiras e nenhum núcleo de povoamento permanente.

                     


O Ciclo da Cana-de-Açucar.
O cultivo da cana-de-açúcar  deu-se pela necessidade imperativa de colonizar e explorar um território até então sem muita importância econômica para Portugal, vários foram os motivos para a escolha da cana, entre eles a existência no Brasil do solo de massapê, propício para o cultivo da cana-de-açúcar, além de ser um produto muito bem cotado no comércio europeu – destinado unicamente à exportação e capaz de gerar valiosíssimos lucros, transformando-se no alicerce econômico da colonização portuguesa no Brasil entre os séculos XVI e XVII.   A maior contribuição dos engenhos, porém, foi estar em um ponto bastante privilegiado, facilitando o escoamento e agilizando a chegada do produto aos mercados consumidores.   As plantações ocorriam no sistema de plantation, ou seja, eram grandes fazendas monocultoras [um único produto], utilizando mão de obra escrava e visando o comércio exterior.



O Ciclo das Drogas do Sertão
Drogas do sertão é um termo que se refere a determinadas especiarias extraídas do chamado sertão brasileiro na época das entradas e das bandeiras, as "drogas" eram produtos nativos do Brasil, que não existiam na Europa e, por isso, atraíam o interesse dos europeus que as consideravam como novas especiarias.
A foz do rio Amazonas era uma região onde se praticava intenso escambo com produtos típicos da região, como ervas aromáticas, plantas medicinais, cacaucanelabaunilhacravocastanha-do-pará e guaraná. Esses produtos recebiam o nome de drogas do sertão e eram considerados especiarias na Europa, alcançando excelentes preços nesse período. Para combater o contrabando, em 1616, a Coroa Portuguesa fundou, na foz do rio Amazonas, o forte do Presépio, dando origem à atual cidade de Belém.



O Ciclo do Ouro
Na História do Brasil, o ciclo do ouro é compreendido como o período em que vigorou a extração e exportação do ouro como principal atividade econômica na fase colonial do país. Ocorrera após o declínio da produção açucareira no Brasil, época em que Portugal buscara novas fontes de renda na colônia, as primeiras minas foram encontradas pelos bandeirantes  no atual estado de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. O auge do ciclo do ouro no século XVIII, gerou uma grande corrida em busca do metal precioso.
A extração exigia investimentos em mão-de-obra, equipamentos e  a aquisição de terrenos auríferos. A extração do ouro ficou nas mãos dos grandes proprietários rurais e comerciantes, a Coroa Portuguesa adquiria lucro por  meio da cobrança de taxas e impostos, ou seja , o explorador que encontrasse e extraísse o ouro deveria pagar o quinto  à Coroa Portuguesa. O imposto era cobrado pelas Casas de Fundição, onde o metal era derretido e transformado em barras.




O Ciclo da Pecuária
 A pecuária estava vinculada à economia de subsistência, fornecia couros e carnes para o consumo interno das grandes propriedades. Esse foi um grande passo para o começo da primeira grande comercialização interna da colônia, fator essencial no povoamento de novas terras, o gado, no início, era propriedade dos donos de engenho e somente em meados do século XVII surgiu a figura do proprietário da fazenda de gado, foi nessa época, também, que o gado tomou a direção do interior, com uma estrutura baseada na grande propriedade, no trabalho livre e assalariado e na técnica extensiva.
Com a descoberta do ouro:
No Sul, as primeiras fazendas de gado datam do início do século XVIII e o consumo de charque (carne-seca) integrou a região economicamente ao resto da Colônia, principalmente ao Sudeste (então na prosperidade do ouro). No Nordeste, a pecuária, durante a fase aurífera, se estendeu pelo São Francisco (que ficou conhecido como Rio dos Currais), pois o comércio se concentrava em Minas, e o São Francisco era ótimo: tanto para a criação quanto para a venda, assim, tornando o Brasil o segundo maior produtor de gado do mundo.




O Ciclo da Borracha
Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se, de imediato, muito lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço internacional, no final do século XIX a recém-criada indústria de automóveis estava em plena expansão, as empresas e a classe média correram para adquirir o meio de transporte do momento, com isso, a demanda pela borracha aumentou significativamente, pois este produto era matéria-prima para a fabricação de pneus.
O Brasil passou a exportar toneladas de borracha, principalmente para as fábricas de automóveis norte-americanas. As principais regiões produtoras de borracha eram os estados do Pará e Amazonas, utilizando a extração do látex das seringueiras, que havia em abundância na região da floresta amazônica, esta rápida expansão da produção de borracha atraiu grande quantidade de trabalhadores para a região, principalmente, nordestinos que fugiam da seca e estavam em busca de emprego e melhores condições de vida, na primeira década do século XX, o Brasil tornou-se o maior produtor e exportador mundial de borracha.
Este crescimento econômico da região amazônica foi acompanhado de significativo desenvolvimento urbano. Muitas cidades surgiram e outras se desenvolveram como, por exemplo, Manaus.. O comércio interno aumentou significativamente e a renda dos habitantes melhorou.




O Ciclo do Café
O café chegou ao Brasil, na segunda década do século XVIII, através de Francisco de Melo Palheta. Estas primeiras mudas foram trazidas da Guiana Francesa. No século XIX, as plantações de café espalharam-se pelo interior de São Paulo e Rio de Janeiro. Os mercados nacionais e internacionais, principalmente Estados Unidos e Europa, aumentaram o consumo, favorecendo a exportação do produto brasileiro.
Com a queda nas exportações de algodão, açúcar e cacau, os fazendeiros sentiram a grande oportunidade de obterem altos lucros com o “ouro negro”. Passaram a investir mais e ampliaram os cafezais. Na segunda metade do século XIX, o café tornou-se o principal produto de exportação brasileiro, sendo também muito consumido no mercado interno.         Os fazendeiros, principalmente paulistas, fizeram fortuna com o comércio do produto, as mansões da Avenida Paulista refletiam bem este sucesso. Boa parte dos lucros do café foi investido na indústria, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, favorecendo o desenvolvimento deste setor e a industrialização do Brasil.       Além de uma alternativa à mineração e aos engenhos de açúcar, a cafeicultura impulsionou o início da imigração europeia, a instalação da malha ferroviária e da industrialização do sudeste brasileiro. Os produtores de café receberam distinções sociais e estiveram relacionados aos principais movimentos políticos e econômicos que precederam a proclamação da república.




Ciclo do Algodão
No contexto da economia colonial, o algodão surge como mais um produto agrícola que se estabeleceu nas bases do trabalho escravo, da grande propriedade e da monocultura voltada para o mercado externo.
A primeira remessa de algodão para o mercado externo data de 1760, proveniente do Maranhão, mais tarde a capitania de Pernambuco e a Bahia também se tornaram importantes produtoras de algodão, esse avanço na produção de algodão no Brasil foi possível graças a uma nova conjuntura internacional no final do século XVIII. O mercado mundial de produtos tropicais - especialmente o algodão – se expandiu devido à Guerra de Independência dos Estados Unidos e logo em seguida a Revolução Industrial inglesa.     Inicialmente, a mão de obra empregada na lavoura de algodão era indígena. Apesar do Marquês de Pombal não ver com bons olhos os jesuítas, não admitiu a utilização de índios, preferindo escravizar o negro, atendendo aos interesses do tráfico negreiro. Conforme se pode observar, o negro apareceu como a mão de obra que melhor atendeu aos interesses da grande lavoura de exportação, seja pela sua utilização na lavoura algodoeira e/ou principalmente para garantir os lucros metropolitanos por intermédio do tráfico de escravo.





Ciclo do Fumo
Durante os três primeiros quartos do século XVI os colonos portugueses obtiveram o fumo dos índios, através de um sistema de trocas, mas numerosas guerras fizeram com que, por volta de 1570, eles começassem a cultivá-lo, no início para o próprio consumo e mais tarde para vendê-lo, sob a instigação de comerciantes locais, no decorrer do século XVII,  ate que em 1674o monopólio português foi estabelecido.
Resgate de escravos
Não sabemos quando o fumo começou a ser utilizado para a compra de escravos na África. O tráfico começou em 1570 e supomos que o fumo apareceu no comércio somente no final do século XVII. O que é certo é que em 1637, os holandeses, em guerra contra Portugal, apoderaram-se do castelo de São Jorge da Mina, possessão portuguesa na África ocidental, controlando então o comércio nessa região, e,após o tratado de paz em 1641 eles proibiram o comércio de mercadorias europeias aos portugueses, deixando livre apenas a compra dos rolos de fumo da Bahia e mais alguns gêneros menores, como a aguardente.
A partir de então, o fumo passou a ser o principal gênero de comércio, no escambo dos escravos na Costa da Mina, e entrou em quantidades reduzidas nas transações com outras regiões africanas (Angola), e até a sua extinção na segunda metade do século XIX, fez a riqueza dos comerciantes baianos.





Ciclo da Erva Mate
Os jesuítas espanhóis, que organizaram grandes aldeamentos de índios catequizados (as chamadas missões ou reduções), organizaram o cultivo e a produção da erva-mate e passaram a abastecer os colonos espanhóis em toda a bacia platina (Argentina, Paraguai, Uruguai e Rio Grande do Sul), conseguindo grandes lucros com o comércio da erva. Os jesuítas destacaram-se na produção da erva, pois seus métodos secretos de produção permitiam-lhes obter uma erva-mate de qualidade muito superior à de outros produtores. Os jesuítas estimularam o consumo de mate pelos índios das missões como forma de combater o perigo do alcoolismo.
No século XVIII, com a expulsão dos jesuítas da América, ocorreu uma desorganização no setor produtivo da erva-mate, isto estimulou o crescimento da extração de erva-mate na região dos atuais estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. O primeiro engenho brasileiro de erva-mate a obter autorização de funcionamento foi o de Domingos Alzagaray, argentino residente na cidade de Paranaguá, no ano de 1808. A indústria da erva-mate passou a movimentar toda a economia do litoral e do planalto paranaense, na época, ainda pertencentes à Capitania de São Paulo.



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